O conto foi dividido pelo autor em 20 partes ou trechos,
cada parte constituída de uma frase e cada frase forma uma idéia. Inicialmente
o pensamento era convidar 20 animadores e cada um ser responsável por uma
frase. Mas com a idéia amadurecendo, notou-se que as frases poderiam ser
reunidas em conjuntos, assim se poderia realizar o filme com menos animadores,
cada um ficando com um conjunto de frases. Como o projeto é coletivo e não
existe verba envolvida, trabalhamos voluntariamente e em cooperação, nesse processo
houve mudanças do número de trechos para cada animador, a inclusão de novos
colegas de empreitada e a saída de alguns colaboradores, resultando na seguinte
estrutura. O conto começa com a frase "Filósofo!", depois se seguem
as frases numeradas. Criamos assim uma introdução e depois dividimos as cenas
por trechos: Introdução (Leo Ribeiro); 01 e 02 (Felipe Thiroux); 03 e 04
(Adriane Puresa); 05 (Anna Thereza); 06, 07, 08, e 09 (Alexandre Bersot); 10 e
11 (Jackson Abacatu); 12, 13, 14 e 15 (Ronaldo Oliveira); 16,17,18,19 e 20 (Leo
Ribeiro); Vinhetas numeradas, créditos e título (Diego Akel).
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Daniil Kharms |
Filósofo!
1. Escrevo-lhe em resposta a sua carta, que o senhor está planejando escrever em resposta à carta que eu lhe escrevi.
2. Um violinista comprou um ímã e o levou para casa. No caminho, arruaceiros atacaram o violinista e lhe derrubaram o gorro. O vento arrastou o gorro, levando-o pela rua.3. O violinista colocou o ímã no chão e correu atrás do gorro. O Gorro foi parar em uma poça de ácido nítrico e então se reduziu a pó.
4. Enquanto isso os arruaceiros pegaram o ímã e fugiram.
5. O violinista voltou para casa sem sobretudo e sem gorro, porque o gorro se reduziu a pó no ácido nítrico, e o violonista, desolado por ter perdido seu gorro, esqueceu o sobretudo no bonde.
6. O motorneiro desse bonde levou o sobretudo para o mercado de pulgas e o trocou por creme de leite fresco, cereais e tomate.
7. O sogro do motorista empanturrou-se de tomate e morreu. Levaram o cadáver do sogro do motorista ao necrotério, mas depois o confundiram e no lugar do sogro do motorista enterraram uma velhinha qualquer.
8. No túmulo da velhinha colocaram uma coluna branca com a inscrição: "Anton Serguêievitch Kondrátiev".
9. Durante onze anos vermes carcomeram a coluna e ela caiu. O sacristão serrou essa coluna em quatro pedaços e a queimou em seu forno. A mulher do sacristão preparou uma sopa de couve-flor nesse fogo.
10.Mas quando a sopa já estava pronta, caiu uma mosca da parede, bem na caçarola em que estava a sopa. Deram a sopa para o pobre Timofiêi.
11.O pobre Timofiêi tomou a sopa e contou ao pobre Nikolai sobre a bondade do sacristão.
12.No dia seguinte, o pobre Nikolai foi à casa do sacristão e pôs-se a pedir esmola. Mas o sacristão não deu nada para Nikolai e o enxotou.
13.O pobre Nikolai ficou extremamente furioso e pôs fogo na casa do sacristão.
14.O fogo se alastrou da casa para a igreja, e a igreja se consumiu.
15.Conduziu-se uma longa investigação, mas não foi possível determinar a causa do fogo.
16.No local onde estava a igreja construíram um clube e no dia da inauguração do clube organizaram um concerto, no qual se apresentou o violinista, que catorze anos antes havia perdido seu sobretudo.
17.Entre os espectadores, estava o filho de um daqueles arruaceiros, que, catorze anos antes, derrubaram o gorro do violinista.
18.Depois do concerto eles foram para casa no mesmo bonde. E, no bonde que vinha atrás deles, o condutor era aquele mesmo motorneiro, que, um dia, vendera o sobretudo do violonista no mercado de pulgas.
19.E lá vão eles pela cidade afora, tarde da noite: na frente - o violinista e o filho do arruaceiro, e, atrás deles, o condutor - o antigo motorneiro.
20.Vão sem saber da conexão entre eles, e morrerão sem saber.
Livre adaptação do conto "Sviaz" de Daniil Kharms para o cenário do Rio de Janeiro entre os anos 20 e 30 do século passado:
Filósofo!
1. Escrevo-lhe em resposta a sua carta, que o senhor está planejando escrever em resposta à carta que eu lhe escrevi.
2. Um violinista comprou um ímã e o levou para casa. No caminho, arruaceiros atacaram o violinista e lhe derrubaram a boina . O vento arrastou a boina, levando-a pela rua.
3. O violinista colocou o ímã no chão e correu atrás da boina. A boina foi parar em uma poça de ácido nítrico e então se reduziu a pó.
4. Enquanto isso os arruaceiros pegaram o ímã e fugiram.
5. O violinista voltou para casa sem paletó e sem boina, porque a boina se reduziu a pó no ácido nítrico, e o violinista, desolado por ter perdido sua boina, esqueceu o paletó no bonde.
6. O motorneiro desse bonde levou o paletó para o mercado de pulgas e o trocou por duas galinhas vivas.
7. O sogro do motorista empanturrou-se de frango ao molho pardo e morreu. Levaram o cadáver do sogro do motorista ao necrotério, mas depois o confundiram e no lugar do sogro do motorista enterraram uma velhinha qualquer.
8. No túmulo da velhinha colocaram uma cruz branca com a inscrição: "Antônio José de Araújo Martins".
9. Durante onze anos vermes carcomeram a cruz e ela caiu. O sacristão partiu essa cruz em quatro pedaços e a queimou em seu fogão á lenha. A mulher do sacristão preparou uma sopa de couve-flor nesse fogo.
10.Mas quando a sopa já estava pronta, caiu uma mosca da parede, bem na caçarola em que estava a sopa. Deram a sopa para o pobre Timóteo.
11.O pobre Timóteo tomou a sopa e contou ao pobre Nicolau sobre a bondade do sacristão.
12.No dia seguinte, o pobre Nicolau foi à casa do sacristão e pôs-se a pedir esmola. Mas o sacristão não deu nada para Nicolau e o enxotou.
13.O pobre Nicolau ficou extremamente furioso e pôs fogo na casa do sacristão.
14.O fogo se alastrou da casa para a igreja, e a igreja se consumiu.
15.Conduziu-se uma longa investigação, mas não foi possível determinar a causa do fogo.
16.No local onde estava a igreja construíram um clube e no dia da inauguração do clube organizaram um concerto, no qual se apresentou o violinista, que catorze anos antes havia perdido seu paletó.
17.Entre os espectadores, estava o filho de um daqueles arruaceiros, que, catorze anos antes, derrubaram a boina do violinista.
18.Depois do concerto eles foram para casa no mesmo bonde. E, no bonde que vinha atrás deles, o condutor era aquele mesmo motorneiro, que, um dia, vendera o paletó do violinista no mercado de pulgas.
19.E lá vão eles pela cidade afora, tarde da noite: na frente - o violinista e o filho do arruaceiro, e, atrás deles, o condutor - o antigo motorneiro.
20.Vão sem saber da conexão entre eles, e morrerão sem saber.
Stefan Müeller e André Câmara, gravação de som guia. |
André Câmara, leitura. |
Gravamos um som guia, voz do jornalista André Luis Câmara, esse som guia servirá de base para a preparação do animatic, onde os quadros dos storyboards serão montados em sequência e sincronizados com a narração. Assim cada animador terá uma idéia muito próxima da duração dos trechos que serão animados. Estamos na fase de fechamento dos storyboards e animatic, em breve a animação começará!!!